Jurema-Branca - Um Óleo Essencial de Tradições Brasileiras

JUREMA-BRANCA
Um óleo essencial de tradições brasileiras

Com muita honra e felicidade, a Laszlo traz pela primeira vez ao mundo da aromaterapia, o óleo essencial de jurema-branca (Mimosa verrucosa Benth.), fruto de um trabalho de apoio e incentivo à destilação de plantas nativas na Chapada Diamantina, que vem trazendo como resultado, óleos essenciais de espécies destiladas pela primeira vez no mundo.

Para falarmos um pouco sobre este óleo essencial, e entender sua importância no sentido espiritual, farmacológico e dentro da aromaterapia, vamos começar contando uma antiga lenda sobre a Jurema:

De acordo com uma história indígena, a Cabocla Jurema, quando humana, foi abandonada por sua mãe, aos pés de uma árvore denominada jurema, quando tinha apenas sete meses de vida, mas foi resgatada pelo Caboclo Tupinambá, por quem foi criada. Mais tarde, ela acabou se tornando cacique de sua tribo e a primeira guerreira desta. Era destemida e não abaixava a guarda, mas um dia ela se apaixonou por um caboclo chamado Huascar, de uma tribo inimiga, da "Terra do Sol". Ele estava aprisionado, por ter sido capturado pela tribo de Jurema, em uma batalha. Esse sentimento (o amor) tornou-se seu maior adversário, pois sabia que se ela se entregasse a isso, seria expulsa de sua tribo. Tendo certeza de que ela o encontrara não por acaso e vendo um futuro nos olhos dele, ela o libertou e fugiu com ele, ao mesmo tempo em que era perseguida por guerreiros da sua própria tribo. Na fuga, Jurema foi atingida por uma flecha, direcionada a seu amado. A flecha atingiu seu peito e ela caiu sem vida no mesmo lugar. Huascar, então, voltou à Terra do Sol, fundou seu império nas montanhas e ergueu um templo dedicado à Cabocla Jurema. No lugar onde ela morreu nasceu um girassol, e é por isso que se diz que sua coroa brilha como o Sol. Jurema, por sua vez, se tornou a entidade espiritual Cabocla Jurema.

Cultuada em religiões de matrizes africanas, Jurema é considerada a rainha da floresta, possuindo a missão de proteger toda a criação da mãe natureza. Como Deusa, caracteriza-se por ser forte, guerreira, sábia, conselheira e mãe, por demonstrar amor maternal aos seus adoradores, sendo ela também, mãe de muitos filhos, mas também sabe ser impiedosa, endurecendo a lei.

Enquanto árvore, a jurema é de ocorrência comum em áreas antropizadas e de caatinga, principalmente nas regiões do nordeste, centro-oeste e sudeste. No tupi-guarani, a palavra jurema (Yu-r-ema) - uma junção dos termos “ju” (espinho) mais “rema” (cheiro ruim) - pode ser traduzida para o português como “espinho de cheiro ruim”. Na verdade, existem uma série de espécies botânicas, popularmente conhecidas por este nome: jurema-mansa, jurema-branca, jurema-de-caboclo, jurema-de-espinho, jurema-preta, jurema-das-matas, jureminha, jurema-de-embira e jurema-de-imbirra.

As juremas (preta e branca, principalmente) possuem na composição de suas cascas e raízes, um dos mais potentes ecodélicos, a dimetiltriptamina (DMT), substância também produzida pelo corpo humano em situações de nascimento, morte, quase-morte, contatos místicos espontâneos, profecias e sonhos, necessária ao funcionamento normal do corpo humano.

Ecodélico é aquilo que nos permite receber a mensagem do todo, ou manifestar a mente de Gaia (mãe terra). O termo se refere a uma categoria de substâncias psicoativas capazes de nos permitir iniciar num processo de transcendência do ego, estado no qual nos percebemos como parte de uma complexa teia de relacionamentos que inclui não apenas cada um de nós, mas todas as outras espécies neste planeta e, em última instância, o cosmos.

Da jurema é feito um vinho ou bebida ritualística, similar à Ayahuasca (também rica em DMT). Para entender o efeito destas bebidas, não basta apenas analisar a composição molecular e compará-la com as denominadas drogas alucinógenas, é necessário situar-se no contexto de expectativas e formas de uso da substância, ou seja, os mitos ou crenças a seu respeito. Por isso, o termo ecodélico é o mais correto a ser empregado para a bebida feita da jurema ou de outras plantas sagradas.

O ÓLEO ESSENCIAL da jurema não arrasta a dimetiltriptamina (DMT) durante a destilação, mas possui contido em si aspectos espirituais inerentes à esta espécie vegetal, sua força anímica que, durante a meditação, facilita o contato com a mãe natureza (Gaia). Diferente do que a palavra Yu-r-ema, significa, o óleo essencial da jurema não tem cheiro ruim, lembrando na verdade, o aroma da mata, o cheiro intrínseco da Deusa jurema. Dentro de uma perspectiva sutil, este é um óleo que contribui para a reconexão do ser humano com sua essência original.`

Com plantas sagradas aromáticas, a inalação de seu próprio óleo essencial tende a potencializar o efeito ecodélico de seus alcalóides. Um exemplo é a inalação do óleo de Cannabis, onde seus terpenos aumentam o efeito do CBD e do THC. Algo similar ocorre com a inalação do óleo de jurema durante uma sessão ritualística e meditativa com a ayahuasca ou o vinho da jurema, ambos ricos em DMT. Portanto, é um importante óleo essencial para potencialização de trabalhos espirituais de cura.

Nos testes até então realizados, a jurema-branca (M. verrucosa) foi a espécie que deu melhor rendimento de óleo essencial. O teor de óleo essencial da jurema-preta (M. tenuiflora) foi tão baixo que, até o momento, só conseguiu-se obter o hidrolato.

A jurema-branca (M. verrucosa), é uma das espécies que entrou em nosso projeto de pesquisa de óleos essenciais de plantas nativas do Brasil, que pretende ser apresentado ao público, em forma de livro, no V CIAROMA em 2023 (www.ciaroma.com.br). Das análises cromatográficas que já realizamos, a variação constitucional encontrada no óleo desta espécie, conforme época do ano de extração, foi a seguinte:

Constituintes %

α-pineno 12-30%
β-pineno 20-50%
β-cariofileno 4-20%
sabineno 1-10%
limoneno 1-8%
óxido cariofileno 0,5-4%
1,8-cineol 1-3%
valenceno 0,5-3%
humuleno 0,5-2%
mirceno 0,5-2%
p-cimeno 0,5-2%
terpinen-4-ol 0,5-2%
eugenol 0,5-2%
α-copaeno 0,5-2%
germacreno d 0,5-2%
β-bisaboleno 0,5-2%
δ-cadineno 0,5-2%
α-thujeno 0,5-2%
nerolidol <1%
espatulenol <1%
γ-terpineno <1%
terpinoleno <1%
α-tuiona <1%
α-terpineol <1%

Estudando esta composição, vamos notar que é um óleo que possui alto teor de mono e sesquiterpenos simples (C15H24 e C10H16), como pineno, sabineno e cariofileno. De fundo, em proporções pequenas, estão os componentes mais importantes do óleo, que se colocarmos uma lupa de aumento de suas porcentagens, perceberemos que são basicamente compostos antivirais, antibacterianos e antifúngicos (terpinen-4-ol, eugenol, óxido cariofileno, α-tuiona, 1,8-cineol, γ-terpineno, terpinoleno), alguns destes também com importante ação imunomoduladora.

No contexto geral e, de acordo com sua composição, este óleo essencial possui baixa toxicidade (comparada a do cipreste-europeu) e apresenta as seguintes propriedades:

Antioxidante ++
Antisséptica +
Imunoestimulante +++
Anti-inflamatória +++
Furúnculos e cistos +++
Ansiolítico e relaxante ++
Tonificante do cérebro cansado (para estudantes) ++
Condroprotetor (inibe a degradação das cartilagens) ++
Rico em fitoncidas +++

Fitocindas são um grupo de componentes dos óleos essenciais, que estão presentes no cheiro da mata, aquele ar que sentimos ao adentrar em uma floresta ou bioma repleto de árvores e espécies aromáticas. Possuem comprovadas propriedades reguladoras do estresse, da saúde mental e emocional, e do sistema imunológico. Morando em um meio ambiente artificial nas cidades, em meio a prédios, asfalto e muito cimento, ficamos privados da presença de árvores e consequentemente adoecemos. As fitoncidas auxiliam no processo de cura das doenças ocasionadas por esta privação, possuindo um efeito de biofilia em nosso organismo.

Como utilizar este óleo essencial:

Em difusor de ambiente: 5 a 8 gotas / difusor pessoal (colar): 1-2 gotas por dia / óleos de massagem: 1-3% (25 a 65 gotas do OE de jurema em 100ml de algum óleo carreador).

Autor:
FÁBIÁN LÁSZLÓ FLÉGNER
CEO Grupo Laszlo

Colaboração textual:
Patrícia Barragan

Imagem:
Marcel van Luit

LASZLO
O Essencial em sua Vida.

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REFERÊNCIAS:

BARKER, Steven A.; MCILHENNY, Ethan H.; STRASSMAN, Rick. A critical review of reports of endogenous psychedelic N, N‐dimethyltryptamines in humans: 1955–2010. Drug testing and analysis, v. 4, n. 7-8, p. 617-635, 2012.

SILVA ARAÚJO, M.T. et al. (2010). Etnobotânica histórica da Jurema no Nordeste Brasileiro. Etnobiología, 8, 1-10.

SANTOS-SILVA, J.; FRAGOMENI, S.M.; TOZZI, A.M.G. de A. Revisão taxonômica das espécies
de Mimosa ser. Leiocarpae sensu lato (Leguminosae – Mimosoideae). Rodriguésia, Rio de Janeiro, v. 66, n. 1, p. 95-154, 2015.

STRASSMAN, Rick. DMT and the Soul of Prophecy: A New Science of Spiritual Revelation in the Hebrew Bible. Inner Traditions/Bear & Co, 2014.


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